O que é uma sala de aula? Para os alunos da disciplina de Planejamento e Gerenciamento Jornalístico, é um espaço de debates constantes entre academia e mercado de trabalho. Nesta quarta-feira (11), foi encerrado, na sala 510 do bloco A, o minicurso “Planejando a abertura do seu negócio”, ministrado pela gestora de projetos do Sebrae Katlin Câmara Machado. A coordenação da atividade é do professor Vlaudimir Salvador.O encontro foi realizado em dois dias. Nesta segunda-feira (9), houve uma simulação da implantação de uma empresa pelos alunos. Cada um seria sócio do empreendimento e teria responsabilidades em cada setor administrativo. Em tom informal e, ao mesmo tempo, de aprendizagem, os alunos decidiram abrir um bar. “Mas vocês pensam que é só colocar cerveja para gelar?”, perguntou Katlin Machado à turma. Ela apresentou modelos de gestão que evitam falhas no gerenciamento de negócios, a exemplo do conhecimento do público-alvo, o padrão de qualidade dos produtos e a importância de uma mão de obra especializada.
Esse debate sobre a abertura da primeira empresa já é realizado há quase seis anos na Unicap, numa parceira entre Vlamdimir Salvador e Katlin Machado. O professor declarou que já passou dificuldades na implantação de seu primeiro negócio. “Idealizada por mim e com parceira de mais três profissionais formados em jornalismo, comecei bem, mas, de repente, em seis meses, o negócio teve que parar e fechou as portas“, contou. Ele revelou que desconhecia a realidade do mercado de pequenas empresas no ramo de assessoria de imprensa. “Fiz um grande investimento na compra de equipamentos de alto valor na época, como computadores e aparelhos telefônicos”; e defendeu, “isso poderia provocar uma frustração pelo resto de minha vida, mas eu tomei como lição e quero que ninguém repita esse erro”.
Muitos brasileiros veem no mercado informal uma saída para as altas taxas de desemprego. A ausência de pagamento de impostos ou mesmo a flexibilidade de horário de trabalho seduz boa parte da população na permanência de pequenas empresas sem registro. Para Katlin Machado, vale a pena oficializar a empresa para garantir vantagens ao dono em linhas de financiamentos e segurança no sistema de aposentaria, caso o profissional autônomo adoeça, por exemplo, e não possa exercer seu trabalho. “É legal ser informal? Não. Existe uma série de limitações, como a ausência de cobertura do sistema previdenciário. Além do mais, o empresário regularizado pode prestar serviços ao governo ou ser beneficiado com empréstimos com juros abaixo da linha de mercado”, defendeu.
Nesta quarta-feira (11), Katlin Machado ainda desconstruiu alguns mitos, como o processo burocrático na abertura do primeiro negócio. “Quando vamos registrar uma empresa é uma forma de avisar as três esferas de governo (município, Estado e Governo Federal). Empresa não é sinônimo de imposto. Uma coisa sou eu abrir uma empresa, outra é eu pagar impostos. O pagamento dessas tarifas é realizado, apenas, quando estamos produzindo nessa empresa. Se o estabelecimento estiver parado, não pagamos nada”, mas alertou, “entretanto, temos que comunicar aos setores públicos que não estamos produzindo ou se empresa não estiver funcionando”, lembrou.O minicurso também trouxe discussões atuais para o mercado de trabalho em jornalismo. Perguntada sobre a possibilidade de uma abertura de assessoria de imprensa por profissionais não formados em comunicação social, a palestrante foi enfática: “Isso é um absurdo”. Ela relembrou o episódio da perda da exigência do diploma para exercer o jornalismo e cobrou aos estudantes manifestações, “vocês deveriam ter reagido de forma mais política e organizada. Existem os conselhos de administração, de enfermagem e de medicina. Para um instrutor trabalhar numa academia, ele precisa ser registrado. Cada profissão tem sua particularidade”, destacou.
Fonte: Textos e fotos: Tércio Amaral_Boletim Assecom

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