segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Análise_Um Monge


UM MONGE FALA DE ESPIRITUALIDADE E CARREIRA

O BENEDITINO ALEMÃO ANSELM GRÜN tem como uma de suas missões divulgar as palavras de são Bento. Ele percebeu que os ensinamentos do santo, quando aplicados aos líderes das empresas, traziam alívio para os que se sentiam massacrados pela rotina. Ele próprio tem uma experiência empresarial. Grün é gestor de finanças do Mosteiro de Münsterschwarch, na Alemanha, onde coordena e direciona as atividades de 280 colaboradores e testa seus ensinamentos. Hoje, o monge dá palestras em grandes corporações, como a montadora Mercedez Benz, e escreve sobre a espiritualidade como uma ponte entre a satisfação na vida profissional e pessoal. Ele conversou com Bons Fluidos e levantou tópicos de como é possível fazer as pazes com o trabalho.

Satisfação profissional tem a ver com... AutoconhecimentoPense: você é seu principal recurso de trabalho. Por isso, precisa conhecer seus talentos, facilidades, fraquezas, aptidões e dificuldades. Dedicar-se ao que lhe dá prazer, seguir suas crenças e seus valores.

Estar de bem com você

Quem está de mal consigo mesmo também pode ter o rendimento profissional comprometido. Isso se traduz por mau humor excessivo, rispidez nas palavras e dificuldade em se relacionar com os parceiros de trabalho. “Quem não lida com as próprias feridas normalmente fere os outros”, atesta o monge. Quando se entra em acordo consigo – e isso pode ser feito por meio de terapia –, fica mais fácil estabelecer um ambiente profissional Satisfação profissional tem a ver com... equilibrado e se vincular de maneira harmoniosa com os colegas de trabalho. É bom para todos.

Saber dosar a energia

Confunde-se o ato de liderar com o simples fato de levantar poeira, criar polêmicas e mudar o que não é preciso. Trata-se, aqui, de não desperdiçar energia e conduzir seus atos para o que realmente é necessário. Se você só consegue se sentir útil e participativo no trabalho quando faz barulho, deve se reavaliar. E lembre: não se pode mudar com base na turbulência, e sim na calma.

Ter foco no que faz

Não perca tempo e disposição pensando em como os outros lhe julgam ou prestando atenção em intrigas e fofocas. “Cerca de 30 a 40% da energia no trabalho é gasta com atitudes mesquinhas”, contabiliza Anselm Grün.

Estabelecer um clima de confiança

O bom chefe cria um ambiente de segurança, no qual as pessoas não têm medo de errar e sabem que podem contar com a equipe quando há problemas e mesmo quando falham. Colegas e chefes que oferecem apoio e companheirismo estimulam um ambiente de criatividade e renovam o ânimo mesmo em situações adversas.

Ter mais tempo para você

Como você se sente ao ir para o trabalho?
Estimulado, inseguro ou desgastado? Se a resposta for a última opção, você deve ter a clareza de quais são suas fontes de energia na vida e ativá-las. Isso pode ser feito da seguinte maneira: avalie o que lhe traz o sentimento de renovação na esfera pessoal. Pode ser a prática de um esporte ou de meditação, o convívio com a família, um encontro com os amigos. Saiba que atitudes como essas, mesmo que aparentemente simples, têm o poder de multiplicar a energia e fazê-la acreditar mais em você mes- >> mo. Está se sentindo esgotado? Marque um happy hour com os amigos, convide alguém querido para jantar ou saia para caminhar. O poder disso é revigorante.

A maneira como você fala

Já reparou na maneira como você fala com os outros? Às vezes, sem perceber, usamos um tom acusador ou desafiador, quando na verdade queremos acolher, nos aproximar ou até mesmo entender. Faça uma auto-avaliação de como conversa com o outro (o tom da voz, as palavras utilizadas, o quanto fala, o espaço que dá para o outro retrucar). E verifique se o retorno que costuma receber não está mais vinculado à maneira como você se coloca e não apenas às informações que passou ou pediu.

Saber dosar as emoções

Solidarize-se! Mas não se contagie em demasia com a emoção dos outros. Isso pode atrapalhar a tomada de decisão. Você pode apoiar uma pessoa que está desanimada e ou vir as reclamações de um colega in sa - tisfeito, mas mantenha sua estrutura emocional para não sair da conversa com um sentimento que não é seu, mas que pode roubar seu otimismo e sua vontade de agir.

Vale lembrar: na agenda, pontue os compromissos profi ssionais, mas também o tempo dedicado para você, para a família e para os amigos. Minigarrafa da Corporação de Ofícios, pombinha de porcelana da Rachel Hoshino e porta-clipes e porta-cartões da Espaço Canevah.

Fonte: texto Tatiana Bonumá publicado na revista Bons Fluídos

Análise_Dificuldades


Como lidar com as dificuldades do dia-a-dia Elaboramos um roteiro dos principais problemas enfrentados, seja na empresa em que você está, seja no próprio negócio, e suas possíveis soluções.

SITUAÇÃO 1
Você precisar tocar projetos, mas não tem estrutura para isso ou as habilidades suficientes. O QUE PODE PROVOCAR Sensação de incapacidade. O QUE FAZER Exponha a situação por meio de uma conversa franca com seu chefe. Nem sempre seus superiores estão a par da estrutura – ou dos conhecimentos – que você tem disponível. Se for o caso, negocie um tempo para investir em cursos, leituras, pesquisa e entrevistas com outros profissionais. Avalie seu trabalho de acordo com as possibilidades que lhe são apresentadas e a estrutura com a qual conta. O resultado é coerente com as condições oferecidas. O importante é não confundir a frustração de não atingir a meta com a infelicidade generalizada no trabalho.

SITUAÇÃO 2
Falta tempo para fazer tudo o que precisa. O QUE PODE PROVOCAR Acúmulo de funções e responsabilidades, desorganização pessoal ou da empresa e falta de planejamento. O QUE FAZER Identifique o que está roubando seu tempo e tente eliminar isso da rotina, como reuniões improdutivas, interrupções desnecessárias, telefonemas e respostas a e-mails que não são urgentes. Liste as tarefas essenciais e crie um planejamento diário com o tempo que pretende gastar em cada atividade. Importante: seja realista e considere a possibilidade de imprevistos. Aprenda a delegar funções, adiar o que é possível, dividir o que for necessário e priorizar.

SITUAÇÃO 3
Sentir-se rejeitado no ambiente de trabalho. O QUE PODE PROVOCAR Dificuldade nas relações – com chefe, colegas ou subordinados. O QUE FAZER Se o comportamento de alguém o incomoda, verifique se a ele é assim só com você. Não espere o sorriso e a aprovação dos outros para se sentir à vontade ou criar um ambiente de trabalho saudável. Focalize o estímulo em você mesmo, não se deixe consumir por pensamentos negativos – de ameaça e competitividade – e assuma uma postura ética e amigável com sua equipe. Se o confronto persistir, tenha uma conversa transparente com a pessoa, sem se focar na emoção, e sim na preocupação em manter um clima profissional estimulante e agradável para você e para os outros.

SITUAÇÃO 4
Você se sente sempre desatualizado, com um passo atrás em relação à tecnologia. O QUE PODE PROVOCAR Estresse e impotência. O QUE FAZER Tente não depender apenas de cursos para aprender a lidar com novas tecnologias. Obtenha informações observando os colegas, conversando, pesquisando e arriscando a mexer nos equipamentos.

SITUAÇÃO 5
Sem tempo para a vida pessoal. O QUE PODE PROVOCAR O isolamento e a sensação de que a vida está escorrendo pelas mãos. O QUE FAZER Ser realista em relação ao que é possível fazer. De novo, considere as prioridades. Programar os encontros sociais com a mesma importância que se dá à reunião profissional. Aprender a estabelecer limites e falar “não”, tanto na vida pessoal como na profissional, num tom assertivo e não agressivo. Fonte: Isma-BR (International Stress Management Association).
Os profissionais satisfeitos são também aqueles que sabem administrar bem a carreira. Portaprendedores de papel da Espaço Canevah, pombinha dourada de porcelana da Rachel Hoshino, minigarrafa de vidro da Corporação de Ofícios, caneta, lápis, cadernos e papéis da Papel Craft.

Fonte: texto Tatiana Bonumá publicado na Revista Bons Fluídos

Análise_Horário Comercial


Felicidade em Horário Comercial

Prazer, dedicação, recompensa. Trabalho precisa ser um pouco de tudo isso. Essa relação tem muito a ver com sua postura de vida. Mesmo quando o cenário ao redor não é favorável, algumas escolhas que você faz podem ser a diferença entre estagnar ou crescer. Aqui, psicólogos, especialistas em gestão de pessoas e até um monge beneditino mostram como carreira rima, sim, com realização.

Passamos cada vez mais tempo no trabalho. Mesmo assim, a cada hora surgem mais tarefas, com prazos curtos e exigências complexas. Ops... Não era esse o combinado! Com tanta tecnologia disponível – internet, celular e mais aparatos –, o esperado era economizar tempo e energia. Não foi o que aconteceu. A hora continua tendo 60 minutos, mas a expectativa do que se pode fazer nesse período subiu muito. O resultado é a frustração no fim do dia, quando você desliga o computador com a impressão de que não deu conta do recado. Isso se tornou tão comum que estudos se multiplicam sobre o assunto em busca de uma resposta de como combinar trabalho e satisfação. Uma dessas pesquisas foi feita pela psicóloga mineira Betania Tanure. O estudo, com 1,1 mil executivos brasileiros, mostrou que 84% dos entrevistados afirmam ser infelizes na carreira. A justificativa vem do excesso de competitividade, do alto nível de estresse e, conseqüentemente, do pouco tempo disponível para cuidar do que deveria estar no topo da lista de prioridades: a vida pessoal. Mas, veja só, 16% se declaram felizes. Como conseguiram chegar a esse patamar de equilíbrio entre carreira e vida pessoal?

“Eles desenvolveram um bom grau de autoconhecimento, o que permite identificar o que lhes proporciona prazer. Sabem estabelecer prioridades e dizer não”, enumera Betania.

A psicóloga Ana Maria Rossi, da Isma-BR, uma as sociação que estuda o estresse, também avaliou quais são as características de quem se considera satisfeito. São elas: auto-estima elevada, otimismo e se sentir no controle da própria trajetória. “A felicidade no trabalho está vinculada com conquistas pessoais relacionadas à postura de vida. Quem se sen te por baixo vê os conflitos como ameaças e não como oportunidades para crescer. O otimismo diminui o me do do fracasso e dá coragem de tentar, sem se intimidar frente às adversidades”, explica. Ela cita que pro fissionais felizes são pessoas con fi antes e com autonomia no trabalho.

CONHECIMENTO DO QUE MESMO?

Especializações, MBAs e experiências fora do país podem ser importantes para conseguir emprego, mas nem sempre se vinculam com a felicidade.

Assim como salário, status e poder também não aparecem nas listas com freqüência. A satisfação no trabalho está mais ligada à paz de espírito. Enfim, tem mais relação com a maneira como a gente sente e vive o cotidiano. Faça o seguinte exercício: olhe a seu redor. Como é sua mesa de trabalho: arrumada, bagunçada, colorida? As mudanças – de humor, de atitude – começam por você. Uma idéia é transformar seu espaço em algo mais acolhedor. Vale colocar uma planta, fotos, objetos que têm significado para você. Bobagem? Que nada! Existem empresas nos Estados Unidos que incentivam os funcionários a customizar sua área de trabalho. Daí ela fica com a cara do dono. E isso faz um bem danado para todo mundo.

Um bom ambiente de trabalho tem a ver com uma atitude mais positiva diante da rotina. Isso é, inclusive, tema de palestras nas empresas, que buscam inspiração nas palavras de atletas, gurus e líderes espirituais. O monge beneditino alemão Anselm Grün é um deles. Ele viaja o mundo todo e influencia executivos a viverem melhor nas empresas. Mas num aspecto ele é categórico: “A felicidade profissional não se desvincula do autoconhecimento, um grande desafio para o homem contemporâneo”. Mas por que esse “se conhecer” se tornou uma tarefa árdua? Em primeiro lugar, não é um conhecimento que se ensina num curso de especialização ou na escola. Também não é algo que passe de pai para filho.

O economista Antonio Brito, outro estudioso da felicidade no trabalho, desenvolve uma tese de mestrado sobre o tema. Ele dá a dimensão histórica para o assunto. “Estamos em uma era de individualismo, mas as pessoas não se perguntam o que querem de verdade, quais são os aspectos que lhes trazem satisfação e quais são seus projetos”, alerta. Aqui outra expressão valiosa é: projeto. “A idéia é entender onde você está, aonde quer chegar e quais são os caminhos para atingir o ponto almejado”, ilustra. Para responder a essas questões, é preciso se perceber e capturar essas informações dentro de si. Isso foi proposto, por exemplo, aos funcionários da Johnson & Johnson. No ano passado, a empresa incentivou seus 700 funcionários a contar o que fazem para cuidar de si e distribuiu também um CD com perguntas e reflexões para ajudá-los a traçar os parâmetros de vida e, conseqüentemente, a trajetória profissional que cada um deseja. “Você só consegue se sentir realizado, ajudar a si mesmo e a empresa, se estiver alinhado com seu propósito de vida. E isso significa também que seu trabalho tem que estar de acordo com seu projeto, deve fazer um sentido mais amplo para você”, acredita Juliana Nunes, que atua na área de recursos humanos da empresa.

Estabelecer o tal propósito pode levar algum tempo e não acontece espontaneamente. Você tem que promover momentos de intimidade para procurar as respostas. Conquistado esse passo, é lidar com as questões do dia-a-dia com bom humor e um tanto de sabedoria.

A parte que cabe a cada um

As companhias nunca estiveram tão preocupadas com o bem-estar de seus empregados. Isso porque quem está de mal rende menos e falta mais. Há quem ofereça aulas de ioga, horário de trabalho fl exível etc. A empresa americana Google, por exemplo, foi eleita recentemente como a melhor companhia para trabalhar pela revista Fortune. Seus funcionários têm, entre outros benefícios, 20% do tempo, durante o expediente, para investir em projetos pessoais. Outro exemplo é o da fábrica Masa da Amazônia, em Manaus, que produz componentes plásticos. A indústria foi eleita por dois anos a melhor empresa para se trabalhar por um guia especial das revistas Você S/A e Exame. De acordo com Kellenn Osmidio Albuquerque, da área de gestão de pessoas, um dos programas que favoreceram essa conquista foi o Projeto Criatividade, proposto para incentivar as idéias que melhoram a vida na empresa. As melhores sugestões são premiadas e colocadas em prática. Ao ver uma idéia sua sendo aplicada, o funcionário se sente reconhecido e fazendo parte do sucesso.

Fonte: Texto Tatiana Bonumá_ publicado na Revista Bons Fluídos

Aula 31 de Agosto

Sala 304

Trbalho em Grupo - Seminário de Resultados _ 1º GQ

Apresentação dia 23 de setembro
dia 28 de setembro

Prova Teórica dia 30 de setembro


Distribuição Textos Análises_Falicidade Em Horário Comercial
Como Lidar com as Dificuldades
Um Monge Fala de Espiritualidade e Carreira

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Vídeo_Inteligência

O Caso Brasileiro_5

Fontes de Pesquisas
Fonte: Jorge Antonio Menna Duarte
Professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub)
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Texto publicado em: BARROS, A. T.; DUARTE, J.; MARTINEZ, R. E. Comunicação: discursos, práticas e tendências. São Paulo: Rideel, 2001.

O Caso Brasileiro_4

Caso Brasileiro - Notas

[1] O relacionamento das organizações com a imprensa é uma das funções de relações públicas segundo definição oficial aprovada pela Associação Internacional de Relações Públicas em 1959 (Andrade, 1988, p. 71). Logo no capítulo II, da Lei no 5.377, de dezembro de 1967, que disciplina a profissão no Brasil, são consideradas atividades específicas de relações públicas “as que dizem respeito à informação de caráter institucional entre a entidade e o público, através dos meios de comunicação”. Apesar disso, sempre houve controvérsias sobre o responsável na empresa pelo relacionamento com a imprensa. Atualmente tramita no Congresso Nacional projeto de lei apoiado pela Federação Nacional dos Jornalistas, estabelecendo que Assessoria de Imprensa é atividade privativa de jornalista. Assim, Assessoria de Imprensa seria considerada como função desempenhada por jornalistas ao lado de atividades como redator, repórter, revisor e repórter-fotográfico, num adendo ao artigo 11 do Decreto no 83.284, de 13 de março de 1979, que regulamenta o exercício da profissão.

[2] Problemas éticos no jornalismo relacionados a isso eram comuns a partir, especialmente, do amadorismo que caracterizava o trabalho jornalístico. Repórteres não pagavam imposto de renda e tinham desconto de 50% nas passagens aéreas; o duplo emprego era comum, assim como o “jabaculê”, denominação dada ao presente oferecido por uma fonte ao jornalista. Assis Chateaubriand declarou em 1961, quando os jornalistas conquistaram o piso profissional: “Mas por que vocês fazem greve por piso? Eu estou dando para vocês emprego e espaço no jornal para escreverem. Porque vocês não ganham dinheiro com isso? Eu fiz minha fortuna assim” (Romeiro, 1987: 102). Considere-se, entretanto, que, naquele período, o jornalismo era em geral uma atividade complementar e os repórteres eram obrigados a ter outras fontes de renda para sobreviver. Segundo Medina (1982: 46), esta situação retardou a profissionalização da carreira.
[3] Consideramos como a melhor definição para assessoria de imprensa a apresentada por Chaparro (1989, p. 06): “a prática do jornalismo a nível de fonte, para assegurar aos meios de comunicação a qualidade da informação, sob o ponto de vista da técnica jornalística e da relevância social”.

[4] A visão que o jornalista em geral tinha do assessor de imprensa é dada por Noronha (1987, p. 94): “... um indivíduo que funcionava como uma barreira entre a fonte e os meios de Comunicação. Estava colocado com a intenção de esconder a notícia. (...) Se comportava muito mais como um relações públicas”.

[5] Quintão conta que, em 1983, 1.814 jornalistas foram enquadrados como técnicos em Comunicação Social do Serviço Público. “Outro tanto desses profissionais, contratados anteriormente em funções diferentes, não puderam ser absorvidos na mesma carreira, mas permaneceram funcionários do governo” (1993, p. 216).

[6] Os antecedentes são de 1978, quando foi feita uma tentativa de greve, mas contornada. Em 1979, a greve aconteceu, os patrões endureceram e houve estimadas 200 demissões. Para Abramo (1988:93), “a greve foi um suicídio” e desmoralizou a categoria.

[7] Um terço dos profissionais recebiam até seis salários mínimos, que era o piso previsto em lei para a profissão. O depoimento de Antonio Alberto Prado é elucidativo: “Nós, jornalistas, muitas vezes vemos nossa profissão como uma espécie de religião. Como para um padre, também para nós é muito difícil deixar a batina. No entanto, eu descobri que a enorme bagagem que os repórteres reúnem estava repleta de ferramentas fundamentais, desejadas, apreciadas e melhor pagas nas indústrias e em outras empresas não-jornalísticas” (O FUTURO..., 1993, p. 32).

[8] Em 1985 a Rhodia lançou seu Plano de Comunicação Social caracterizado como uma “Política de Portas Abertas”. Tratou-se de um avançado e pioneiro programa de comunicação empresarial. Bueno (1989, p. 5) informa que a política adotada pela Rhodia serviu de paradigma para as demais organizações. Ver mais sobre o assunto em Valente & Nori, Portas Abertas, Círculo do Livro, 1990, que traz um detalhado relato sobre o programa de abertura no diálogo entre a empresa e a sociedade no período entre 1982 e 1988. O livro é um clássico na literatura brasileira de comunicação organizacional por mostrar um tipo de posicionamento e exemplos de ações que acabaram tornando-se referências inevitáveis para a grande maioria das empresas brasileiras.

[9] Pesquisa realizada junto aos cursos de comunicação do Estado do Rio de Janeiro mostrou que, num universo que variou de 5% a 10% dos cerca de 11 mil alunos matriculados em cursos de Jornalismo, a área de comunicação empresarial e institucional é a segunda grande área de absorção dos profissionais (Lopes, 1997, p. 66).

[10] Os principais autores evitam o termo norte-americano house-organ pois, traduzido por “órgão da casa”, não representa a abrangência e a variedade das publicações empresariais (Torquato, 1987; Palma, 1994). Apesar de haver um certo consenso sobre esta inadequação, ainda é utilizado com freqüência.

[11] Na maior parte dos países, a atividade dos profissionais de relações públicas inclui o que no Brasil se convencionou chamar de assessoria de imprensa. Toda a prática de assessoria de imprensa ou produção de publicações empresariais faz parte do acervo teórico de relações públicas e é tratada nos livros desta atividade.

[12] Romeiro (1987, p. 103) diz que “o relações públicas é formado para promover as coisas. (...) Na hora em que é abordado por um jornalista, tende, instintivamente, a deixar o jornalista insatisfeito”. Simões (1995, p. 102) acredita que as relações públicas foram contaminadas por “um vírus pejorativo” e atribui parte da responsabilidade aos jornalistas. Em pesquisa realizada junto a 20 jornalistas em 1987, a maioria com cargos de chefia nas redações dos mais importantes diários do País, a Agência de Comunicação Social detetou que eles dão preferência aos contatos pessoais com os diretores de empresas, na presunção de que as assessorias de relações públicas não lhes contam toda a verdade (Release..., [19--]). Palma(1994, p. 74) diz que “muitas vezes (...) [o relações-públicas] é mesmo culpado pelas imputações que lhes são feitas”. Ele justifica afirmando que o relações públicas negligencia as regras básicas da notícia, bombardeia as redações com grande quantidade de relises de interesse unilateral, longos e redundantes. A crítica, entretanto, pode ser extensiva a muitos jornalistas assessores de imprensa.

[13] Uma maneira relevante de estudar a importância e atuação dos profissionais de assessoria de imprensa é pelo seu poder junto às redações: pesquisa realizada em Fortaleza, CE, em 2000, junto aos dois principais jornais do Estado, mostrou que, durante os cinco dias da coleta de dados, foi grande a influência das assessorias de imprensa no material editorial veiculado. No jornal O Povo, das 71 sugestões de pauta recebidas, 39 (54,9%) foram aproveitados de alguma forma naquela semana, totalizando 2,46 páginas inteiras. Das 64 sugestões de pauta que o jornal Diário do Nordeste recebeu, 31 (ou 48,43%) foram aproveitadas, significando 1,99 página de espaço editorial. O pesquisador nota que não foram examinadas sugestões de pauta e relises enviados naquela semana e aproveitados nas semanas seguintes, o que poderia ampliar o percentual. (Ribeiro, 2000).

[14] Existe uma relação de origem entre assessoria de imprensa e relações públicas: na primeira década deste século, o então jornalista norte-americano Ivy Lee deixou a imprensa para atuar na divulgação de empresários e orientá-los na conquista da opinião pública por meio da mídia. Também desenvolveu técnicas para influenciar as decisões jornalísticas. Em 1906 ele criou uma carta de princípios no seu relacionamento com a imprensa que passou a ser referência no assunto. Hoje é reconhecido como o primeiro assessor de imprensa da história e é considerado por muitos o "pai das relações públicas". Antes dele, a frase "the public be damned", atribuída ao empresário Henry Vanderbilt, sintetizava o padrão vigente no relacionamento dos grandes empresários com a imprensa.

[15] Entrevista a este autor.

[16] Marcondes Filho (1989, p. 31) mostra que os veículos de comunicação de massa, como instituições de natureza empresarial, utilizam a notícia como uma de suas mercadorias e não com o fim democratizante da informação: “mercadoria pura e simples, matéria solta e universal, como as demais mercadorias, fato social sem história e com reduzida ação no presente, reduzida inter-relação entre criador e receptor, reduzida proposta e colaboração para uma transformação individual e coletiva: alimento simbólico para a mente (...) O que se vende é a aparência do valor de uso”. Por outro lado, também afirma que só as empresas de comunicação têm “um falar genuinamente jornalístico. Todos os demais são veículos oficiais de transmissão de opiniões particularistas”, referindo-se a publicações empresariais e agências de notícias de sindicatos, igrejas e universidades”. (1993, p. 143).

[17] Ao assessor de imprensa cabe criar ou sugerir fatos ou eventos que possam ocupar espaço na mídia ou produzi-los especialmente para que sejam notícia. Esta atividade do jornalista já é institucionalizada.

[18] O artigo 13, por exemplo, diz que o jornalista deve “evitar a divulgação de fatos com interesse de favorecimento pessoal ou vantagens econômicas”, o que é a essência do trabalho do assessor de imprensa de empresas privadas. Enquanto o código de ética brasileiro proíbe o profissional de exercer cobertura jornalística pelo órgão que trabalha, em instituições onde seja funcionário, nos Estados Unidos o tema é bastante discutido, mas a opinião prevalecente é que o jornalista sequer pode se envolver com instituições - associações e partidos, inclusive - que possam influenciar, indevidamente, sua capacidade de noticiar imparcialmente. O código de ética da Associação de Editores Administrativos Associados de Imprensa para Jornais e seu Pessoal diz que “o emprego paralelo em fontes de notícia é óbvio conflito de interesses...” (Goodwin, 1993, p. 442), sem referir-se, como no brasileiro, que o jornalista cubra necessariamente esta fonte.

[19] Marinho mostra que os profissionais de uma determinada área tendem a exercer controle sobre seus pares, ao mesmo tempo em que praticam sanções monopolísticas contra eventuais intrusos. “São os interesses dos membros de uma profissão por poder, riqueza e prestígio que os leva a lutar pela conquista e manutenção de seu monopólio de competência” (1986, p. 108).
[20] Rossi, com base em dados fornecidos pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de S. Paulo, estimava, embora a partir de dados que não considerava rigorosos, que em 1985 havia mais de 4.000 profissionais que não conseguiam atuar na área no Estado (1986, p. 39).
[21] Isto ocorre, de outra maneira, nos veículos de comunicação de massa. Os jornalistas que maior destaque obtêm não são necessariamente os de melhor texto, mas também aqueles que têm melhores fontes, cultivadas geralmente durante muito tempo e que por isso podem oferecer a seu público informações e análises exclusivas.

[22] Piva (1999, p. 82-83) traça o perfil necessário do jornalista em funções empresariais: estrategista político, articulador, consultor/conselheiro, capacidade de relacionamento, administrador de conflitos, capacidade para ler e interpretar o meio ambiente, dominar os meios clássicos de comunicação e descentralizador de operações.

[23] Enquanto o jornalista é preparado nas universidades basicamente para pensar a transmissão da informação à sociedade via veículos de comunicação de massa, o relações públicas estuda a lógica da comunicação com uma finalidade mais estratégica para a organização, ou conceitualmente, “promover, através do esforço deliberado, planificado e contínuo, a compreensão mútua entre instituição e os grupos e pessoas a que ela esteja diretamente ou indiretamente ligada”.

[24] Importante é distinguir entre “profissão”, regulamentada e exercida por pessoas oficialmente credenciadas, e a “atividade”, que é o exercício dos preceitos, no caso, da função de relações públicas. O preconceito e a recusa em aceitar que assessoria de imprensa é uma atividade típica de relações públicas parece até impedir que alguns jornalistas procurem a literatura da área, onde estão conhecimentos que o ajudariam a desempenhar melhor suas atividades em uma organização. O impasse resultante da ambigüidade ao exercer diferentes papéis profissionais mereceria maior discussão em nível universitário, em particular sobre a formação curricular de um jornalista que provavelmente não vai trabalhar em veículos de comunicação de massa.

[25] Um dos problemas que trouxe imagem negativa à profissão de relações públicas é sua relação original com práticas autoritárias de comunicação impostas pelo governo federal, primeiro com o DIP, no governo Getúlio Vargas, e, depois, com a Assessoria Especial de Relações Públicas. Criada por militares de linha dura em 1968, a AERP e as áreas de comunicação que a sucederam se caracterizaram pela autopromoção do regime militar e por dificultar o fluxo de comunicação entre governo e sociedade.

[26] Apesar de a atuação do jornalista em assessorias de imprensa estar institucionalizada e caracterizada como importante mercado, pesquisa realizada em 17 universidades do Estado do Rio de Janeiro mostrou que 66% não ofereciam disciplinas voltadas para a área de assessoria de imprensa (Lopes, 1997, p. 66). A assessoria de imprensa é, como vimos, a área de atuação mais rudimentar para o profissional de jornalismo em uma organização não-jornalística e, ainda assim, exige o domínio de uma série de técnicas particulares.